A Infeliz Nova Realidade Futebolística do Brasil

Estádio Nacional de Brasília - Mané Garrincha

Estádio Nacional de Brasília – Mané Garrincha

Estádios modernos, novos e vazios… Essa política de elitizar o público dos estádios do Brasil funciona bem em mercados com economia consolidada, em que o público possui disponibilidade financeira para repetir os programas de lazer que custam caro. Não é o nosso caso e dos jogos de futebol em terras tupiniquins!

Um exemplo local: a Arena do Grêmio tem atraído menos público do que o Olímpico, isso com o clube em um excelente momento no campeonato. Será que o torcedor preferia se acomodar no gelado cimento da velha casa do que nas confortáveis cadeiras do novo estádio? Será que nem a novidade fará com que o haja média compatível com a grandeza da nova morada? Não, não bastam esses argumentos, pois economicamente as coisas não funcionam desse modo no Brasil.

Entrando no mérito do meu clube, SC Internacional, ao qual sou sócio, espero que a BRiO, sociedade de propósito específico que administrará o estádio, e o Inter estejam atentos aos acontecimentos desse experimental 2013 e os novos estádios do país. Claro que há uma diferença, nesse caso, pois há mais de 30 mil sócios que poderão entrar sem pagar (nem ao clube, nem à parceira) em todos os jogos. Obviamente que passarão a contribuir com um valor maior de mensalidade, mas pagar R$ 100,00, ainda que seja esse o valor, para ter no mínimo 4 jogos confortavelmente por mês é mais do que aceitável.

A questão maior é custo total da operação. Valores de alimentação e estacionamento estão em um outro patamar de tarifação. E creio que aí não haja espaço para grandes mudanças, pois é a forma de os operadores recuperarem o investimento. Porém, os valores de ingresso e o posicionamento dos ingressos de menor valor é que moldam inadequadamente os novos estádios. Aí, na minha humilde opinião, que a coisa se complica e se desqualifica. De que adiantam estádios novíssimos com enormes espaços vazios em sua parte que mais aparece nas transmissões e que formam o ambiente do espetáculo, a energia do evento?

Creio que a melhor fórmula é trabalhar com o principal atrativo ao público de maneira mais popular, qual seja, o valor do ingresso. Assim, a ‘moldura’ dos estádios estariam mais completas, ou perto disso, e o público que transitaria entre as áreas de comércio seria maior e com possibilidade de aumentar o potencial de compra aos permissionários. É preciso voltar no tempo nessa questão, pois não é porque poderemos ter um maior número de torcedores de classes C e D que os tão almejados novos consumidores do futebol, classes A e B, deixarão de frequentar. Há espaço para todos nos novos estádios! Assim como tem sido há décadas no futebol do brasileiro.

Portanto, há sempre de se lembrar e comemorar a realidade que tivemos em estádios de futebol: a pacífica convivência entre torcedores das mais variadas classes sociais. Ou alguém aqui nunca se abraçou nas comemorações de gol de seu time a desconhecidos e humildes torcedores?

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About Daniel Mello

Coordenador Comercial na Infoar - Mais Continental; Consultor em Marketing Direto e MKT de Relacionamento; Professor de Língua Portuguesa. Um profissional dedicado aos encantos da área comercial e aos mistérios da Comunicação Escrita e Produção de Textos! Um cara sempre em busca de aprendizado. E pronto para dividir expectativas, anseios e um pouquinho de conteúdo! ;)
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