As precárias condições das estradas do Rio Grande do Sul

Transitar por estradas quase que diariamente me leva a refletir sobre a incapacidade do estado em proporcionar uma gestão minimamente eficiente desses equipamentos. É impressionante como a degradação toma conta de nossas estradas, federais ou estaduais. E mesmo quando são totalmente reformadas, caso da BR 285, no RS, em seguida já estão com vários problemas causados pelo excesso de carga de muitos dos caminhões que por elas transitam. E esse é mais um grave problema de gestão: a falta de balanças em funcionamento, pois há várias áreas já prontas e estruturadas que não são utilizadas ou pouco utilizadas para fiscalizar o peso dos caminhões.

A partir desse cenário, abre-se a brecha para o discurso de que apenas a iniciativa privada é capaz de gerir a malha rodoviária para que esta tenha condições de trafegabilidade. Obviamente que é muito mais fácil para a iniciativa privada dirigir qualquer área de ‘propriedade’ do governo, pois não precisa passar pelos vários entraves burocráticos que o setor público possui e isso é um grande diferencial. Ainda, não depende de aprovações políticas para definir nada. Eu não sou contra pedágios, na verdade sou até a favor daqueles que não existem para extorquir a população. O que não pode acontecer é o que ocorreu no RS, em que as estradas foram entregues por 15 anos sem que os contratos exigissem duplicações, viadutos e até mesmo melhores acostamentos. E tudo isso por uma tarifa absurdamente cara. Se houver equilíbrio entre estes fatores, conceder as estradas ao setor privado é uma boa solução.

Nas últimas semanas o governo gaúcho começou a operar os pedágios das estradas do estado. Criou uma empresa para tratar exclusivamente disso. Espero que toda a arrecadação dos pedágios seja investida nas estradas, e não direcionada ao caixa único do estado como acontecia na época de gestão do DAER. Só assim esse programa terá alguma chance de sucesso. E como o governo atual sempre criticou o modelo de concessão privado, espero que em alguns dias apresente planos de obras para as estradas por ele agora administradas. Há urgência de novas faixas adicionais, duplicações e melhorias em acostamentos. Se essa forma realmente funcionar, algumas outras estradas importantes e que estão em estado bastante ruim poderiam ser concedidas. Falo da RS 020, RS 400, RS 223, RS 332, RS 344, RS 324, entre outras tantas. Um valor razoável de pedágio ajudaria a manter essas estradas em boas condições, evitando uma série de problemas aos motoristas.

Tal medida também poderia ser aplicada nas estradas federais, que poderiam seguir o novo modelo de pedágios que o governo implantou na BR 101 em SC, por exemplo. A BR 386, BR 158 e a BR 392 são estradas que precisam de reparos constantes, por seu intenso movimento de escoamento de grãos, além de duplicações e novas faixas adicionais para facilitar o fluxo e a segurança dos usuários. A própria BR 285 também precisa desses serviços.

Enfim, sei que o assunto é polêmico. É claro que o ideal seria termos as melhores condições sem precisar desembolsar mais com pedágios, já que pagamos altos impostos. Mas essa não é a nossa realidade, infelizmente. Particularmente, prefiro pagar um valor justo para rodar em boas condições e em segurança.

ERS 717 - Foto de Claudia Bischoff.

ERS 717 – Foto de Claudia Bischoff.

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About Daniel Mello

Coordenador Comercial na Infoar - Mais Continental; Consultor em Marketing Direto e MKT de Relacionamento; Professor de Língua Portuguesa. Um profissional dedicado aos encantos da área comercial e aos mistérios da Comunicação Escrita e Produção de Textos! Um cara sempre em busca de aprendizado. E pronto para dividir expectativas, anseios e um pouquinho de conteúdo! ;)
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