A Era da Desinformação

Sim! Estamos, na realidade, na era da desinformação! Antes que me perguntem como isso se sustenta, já que o acesso à informação é muito maior atualmente, respondo que ter possibilidades múltiplas de acesso não se traduz como acessar informações de qualidade, filtrá-las e ter capacidade de utilizá-las e multiplicá-las como meio racional de qualificação cultural/intelectual.

Não há dúvida de que a internet trouxe inúmeros benefícios para quem efetivamente quer se informar, buscar versões, comparar dados e formular teses. A pergunta que fica é: quem quer verdadeiramente seguir essa regra? A prática mostra que poucas, muito poucas pessoas querem. A imensa maioria quer receber a informação já pré-formatada. Não quer ter o ‘trabalho’ de formar seu próprio raciocínio. E essa característica permite que essa maioria seja guiada pela visão de quem se dá esse ‘trabalho’ de lapidar a informação, tratando-a como fonte inicial de um processo de formação de conceitos. E essa formação de conceitos segue o viés de quem o forma, seguindo sua ideologia e as influências que seu meio tem sobre esse formador de opinião.

A partir daí, qualquer informação trabalhada por outro, adotada por mim, não será exatamente minha, pois não se formou a partir de minhas características. Essa ‘adoção’ será apenas a visão de outro encampada por mim. Notadamente, formar opinião própria é uma tarefa árdua. Não se desenvolve essa prática de um dia para o outro. Esta tarefa leva anos para se formar. O importante, nesse caso, é não demorar a iniciar esse processo, já que o exercício da análise, da crítica e da capacidade de filtrar fontes é um grande propulsor de ideias e de convicções.

Seguindo esse conceito, fica claro que apenas repetir informações não torna ninguém informado. Torna essa pessoa repetidora de determinados assuntos conceituados por outras pessoas (e que nem sempre são verdadeiramente informações). O maior exemplo disso são os compartilhamentos nas redes sociais. Os usuários destas redes compram essas ‘informações’ sem nem se dar ao luxo de pesquisar se elas são ou não verdadeiras, se são oriundas de fontes confiáveis. Absorvem tais opiniões sem nenhum olhar de contestação, sem nenhum olhar crítico que possa auxiliar para uma análise mais adequada dos casos. A preguiça de analisar tem transformado pessoas de boa formação em reprodutoras de imbecilidades, de falsidades e de publicações baseadas em má-fé. E é aí que entramos, na prática, na era da desinformação, quando o podre e a mentira se disseminam. E isso tem acontecido muito em nosso tempo.

Portanto, não basta ter a disponibilidade de acesso à informação. Há de se criar um modelo de construção de informações. Buscar mais de uma fonte, mais de uma referência, comparando-as e as analisando conforme seus conteúdos, seus argumentos e seus recursos aplicados para tanto. Ser um mero repetidor não torna você um ser informado. Apenas um seguidor de formação alheia. Construa-se como ser racional! Transforme a desinformação em informação!

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About Daniel Mello

Coordenador Comercial na Infoar - Mais Continental; Consultor em Marketing Direto e MKT de Relacionamento; Professor de Língua Portuguesa. Um profissional dedicado aos encantos da área comercial e aos mistérios da Comunicação Escrita e Produção de Textos! Um cara sempre em busca de aprendizado. E pronto para dividir expectativas, anseios e um pouquinho de conteúdo! ;)
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