O Texto e a Escrita

Escrever é uma atividade que alguns classificam como uma arte prazerosa e outros a classificam como um processo de luta constante contra esse inimigo chamado texto. Inimigo… Mas um inimigo não é aquele que nos ameaça? Que age sorrateiramente para nos empurrar para o abismo? Sim, pois inimigo não se permite ser decifrado, nem praticado de uma forma que o dominemos. Então não é inimigo! Mas entendo que o texto tenha adquirido essa máscara de terror que a cada geração acaba afastando mais e mais nossos alunos e profissionais das belas práticas da escrita. E o que levou a isso? Como chegamos a este ponto?

Não há respostas prontas e definitivas para estas questões. Porém, humildemente tentarei respondê-las. A principal causa da criação desse aspecto monstruoso concedido ao texto é velha mania de simplificação. Sim, nem sempre simplificar significa melhorar processos. E, no tocante ao texto, a simplificação do processo da escrita deu-se colocando o texto dentro de uma forma. Há determinado tema, que deve ser dividido em parágrafos (cada qual com sua ideia), com início, meio e fim. Clap, clap, clap… Conseguem ouvir as palmas? Palmas de ironia…

Com o advento da formatação do texto, originária da Composition americana, muitos alunos deixaram de desenvolver a verve criativa que sucedia à leitura. Não mais havia necessidade dela, pois bastava colocar frases em parágrafos dentro de uma sequência lógica (“ilógica”, na verdade). Assim, sem necessidade de impor traços pessoais e reveladores de caráter, a leitura tornou-se vítima principal deste modelo. Com a leitura “escanteada”, pois para escrever dentro da lógica da formatação bastava dominar alguns clichês, ou lugares comuns, o significado sumiu, evaporou. E aí, acabaram-se as chances de saborear opiniões dentro dos textos, de abrir um debate entre autor e leitor. A interlocução textual tornou-se rara, raríssima! E é este o principal embate que deve ser travado por quem ainda acredita na Produção de Textos: combater a insignificância. Não basta a um texto estar bem estruturado conforme manuais de redação, pois ele pode estar completamente vazio de significado, sem uma autoria individual. Sem individualidade, nunca será TEXTO!

Para lutar nesta batalha contra a insignificância textual, torna-se imperativo chamarmos alguns reforços que esmagam a insignificância. Tais reforços sustentam um método, sobre o qual se faz uma mistura de conceitos que tem por objetivo trazer de volta ao leitor o significado, a autoria, a verdadeira cara de cada um de nós perante seus leitores. Essa batalha quer transformar o texto formatado em discurso. Assim, inicia-se a luta contra a insignificância. E para tanto devemos ter consciência de que não se aprende a escrever se não soubermos “nos colocar” no texto. Apenas assim, é que conseguiremos “ler” a situação com clareza e argumentar adequadamente. Então, teremos opinião, teremos o nosso discurso e a nossa cara dentro deste texto, estaremos aptos a brincar com as mais diversas formas de texto. Não podemos nos esquecer do argumento, que alguns chamam de “maléfico” e destruidor. Pois um argumento mal formatado pode destruir qualquer defesa que queiramos utilizar. De modo que o bom e embasado argumento pode ter a força de um rolo compressor sobre as opiniões contrárias.

A partir da arte da utilização de conceitos que auxiliem a prática textual, teremos a capacidade de desenvolver textos que atinjam potencialmente seus objetivos. E estes objetivos podem ser de caráter pessoal (escrever adequadamente minhas anotações, minhas apresentações), estudantil (estar apto para as avaliações de produção textual, seja na escola, no vestibular ou em concursos públicos), e profissional (desenvolver a escrita com a certeza de que suas mensagens, mesmo que sejam internas – para colegas – ou externas – para clientes e/ou fornecedores, em sua empresa, escritório ou em seu emprego de modo geral, atingirão com clareza e eficácia o alvo almejado).

Obviamente, não entrei em detalhes conceituais e teóricos sobre produção de textos. Até porque este artigo não tem por objetivo ser referencial teórico em nenhum sentido. Trata-se apenas de pequenas lembranças para que todos possam pelo menos pensar em melhorar, adequar, ajustar seu processo de escrita. E lembre-se: escrever bem depende apenas de você!

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About Daniel Mello

Coordenador Comercial na Infoar - Mais Continental; Consultor em Marketing Direto e MKT de Relacionamento; Professor de Língua Portuguesa. Um profissional dedicado aos encantos da área comercial e aos mistérios da Comunicação Escrita e Produção de Textos! Um cara sempre em busca de aprendizado. E pronto para dividir expectativas, anseios e um pouquinho de conteúdo! ;)
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