UFC, Globo e o nascimento de uma geração: os “neocríticos”

Tenho a impressão de que muitos acham que o MMA, através da marca UFC, só passou a existir após os gritos descoordenados e desorientados do Galvão Bueno com a transmissão da Rede Globo. Pelo menos é o que se abstrai de várias críticas que se ouve e vê a partir dos últimos eventos do UFC no Brasil. O que os “neocríticos” não sabem é que o MMA, através do UFC, já é um sucesso há muitos anos em grande parte do mundo. Inclusive no Brasil. Ou qual seria o motivo do canal Combate ser um dos maiores fenômenos de venda de pay-per-view do Brasil há um bom tempo?

Não quero aqui criticar quem não gosta de MMA, até porque tenho vários amigos que não gostam. E a questão de gosto é muito complexa e particular, pois, como dizia meu avô, “gosto, cor e amor não se discute”. O centro da questão é a falta de informação ou a falta de sustentação dos argumentos daqueles que se tornaram críticos em função de que agora o evento está sendo transmitido pela Globo e aparece aos olhos dos mesmos (depois ainda falam que não assistem à Rede Globo…). Primeiro, que poucos sabem a diferença de MMA e UFC e misturam as siglas sem nem buscar saber do que se tratam. Serei didático: MMA é a sigla p/ a modalidade esportiva, e é a abreviatura em inglês de Mixed Martial Arts (artes marciais mistas). UFC (Ultimate Fighting Championship) é a entidade organizadora dos eventos de MMA. A principal delas, já que existem outras de menor importância. Assim, já poderemos começar a conversar. 😉

De fato, o que me incomoda é que alguns passaram a conceituar o MMA como “chinelagem”, violência explícita e pancadaria de rua. Intelectuais, que se vangloriam por seus currículos acadêmicos, começaram a comparar o MMA com outras culturas populares, como a música, por exemplo, música esta que eles criticam bastante em alguns de seus estilos. Nada contra qualquer cultura popular musical, mas esporte não se compara com música. Que comparem com outros esportes! Fica mais fácil de argumentar, nobres “neocríticos”. Ah, mas aí não poderão, pois tais críticos são amantes do esporte mais popular do planeta, o futebol. Assim como eu sou. Mas a sustentação do argumento “chinelagem” popular vai por água abaixo nesse caso. Como comparar o “nosso” futebol com MMA? Ou como assumir que seres de tamanha nobreza são amantes de um esporte popular? O que os “noecríticos” não sabem é que o UFC se tornou a maior marca esportiva dos Estados Unidos em 2011, superando a NBA! (link da matéria: http://veja.abril.com.br/noticia/esporte/ufc-e-a-marca-esportiva-mais-valiosa-dos-estados-unidos) Isso é muito mais do que ser popular, é negócio dos grandes! E envolve muito mais do que apenas pessoas descerebradas.

Além disso, o UFC organiza o MMA com regras precisas, avaliações constantes dos atletas e cuidados nos mais variados aspectos do esporte. Muitos acham que o UFC promove as antigas lutas de vale tudo. Já foi assim, mas o esporte evoluiu e já não permite uma série de golpes antes permitidos. Há ainda falhas? Há! Por exemplo, eu não aprovo as cotoveladas no rosto. Mas não é por um ou outro golpe que a modalidade torna-se violenta ao extremo. Os atletas que participam são preparados para tanto. Outro detalhe é que não há contagem quando da existência de um golpe que derrube o oponente. A luta termina ali, diferentemente do boxe, a chamada “nobre arte”, que abre contagem e o lutador pode voltar. Nesse caso, médicos já comprovaram, através de pesquisas, que o segundo golpe (knockdown) é que realmente pode afetar e prejudicar a saúde do atleta. Isso no UFC não acontece. E há golpes em que o lutador pode “bater” para deixar a luta antes de sofrer uma lesão mais grave. São as chamadas finalizações. Em outras modalidades aceitas pela grande parte dos “neocríticos”, essa possibilidade não existe.

Gostar e apreciar algo são direitos de cada um. Porém, para criticar tal coisa é necessário conhecer pelo menos um pouquinho deste negócio. Críticas sem fundamento só servem como vozes na multidão, sem que se possa argumentar com precisão e muito menos desenvolver uma interlocução razoável, já que não identificamos os tais interlocutores. Um exemplo foi a frase que li hoje: “uma luta em que dois homens trocam socos e pontapés não precisa de argumentos para justificar críticas”. É, amigos, nota-se que essa classe de intelectuais, aqui chamados de “neocríticos”, transtornaram-se após a Globo transmitir dois eventos do UFC.

Portanto, creio que devemos refletir sobre o que realmente é “chinelagem” popular aqui no Brasil: se é um esporte consagrado em grande parte do mundo que chegou à TV aberta do Brasil há poucos meses? Ou se são os políticos corruptos roubando descaradamente com a conivência política de alguns intelectuais? Ainda, se são as empresas monopolistas de comunicação que empregam grande parte dos intelectuais “neocríticos”? Ou, finalmente, se são algumas igrejas e seus pastores que subtraem ladinamente a pouca soma de dinheiro que cada cidadão humilde luta para receber com promessas de um pedaço de céu?

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About Daniel Mello

Coordenador Comercial na Infoar - Mais Continental; Consultor em Marketing Direto e MKT de Relacionamento; Professor de Língua Portuguesa. Um profissional dedicado aos encantos da área comercial e aos mistérios da Comunicação Escrita e Produção de Textos! Um cara sempre em busca de aprendizado. E pronto para dividir expectativas, anseios e um pouquinho de conteúdo! ;)
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