Por que escrever bem?

A pergunta parece um tanto idiota. Concordo que realmente seja. Mas ela está muito presente no discurso de profissionais das mais variadas áreas. Por que preciso escrever bem se tecnicamente sou um dos melhores em meu ramo? Qual o ganho que terei com isso em minha profissão, se sou um cara extremamente qualificado, bajulado e requisitado no meio em que circulo? Por que, se nem preciso escrever?

Bem, a primeira vontade é responder ao interlocutor que faz essas perguntas que ele realmente não precisa perder seu tempo afinando sua capacidade de escrever. Até porque ele já possui um status que não o faz pensar em suas potenciais deficiências, mesmo que estas sejam visíveis e estejam em outra seara que não a área de conhecimento em que é dominador. Mas e se o tal bacana for “O cara” e, ainda assim, escreve mal, não consegue redigir seus e-mails com qualidade e muito menos escrever um post em seu blog que consiga transmitir a mensagem na íntegra? Aí figura é diferente…

O que vejo, nesses anos de interação com os mais variados perfis de profissionais, é que a qualidade discursiva nos seus trabalhos escritos é muito menor do que em suas atuações e em suas apresentações. São excelentes verbalmente!  Mas como essa diferença pode existir? Simples, muitos se usam de um staff para manter essa parte “insignificante” de seus trabalhos: a redação de pequenos textos, de apresentações, dentre outras formas de comunicação. Sim, COMUNICAÇÃO! Pois a escrita é simplesmente uma das mais importantes formas de comunicação, perdendo apenas para a fala. “Ah, mas eu domino uma apresentação em grupo, palestro bem, mantendo a atenção de meu público”. Sim, isso é possível. Porém, nunca conseguirá transpor essa barreira que separa o locutor do autor, ou, radicalizando, é a diferença do “alfabetizado profissional” e do “não alfabetizado profissional”. É bom lembrar que já tivemos oradores excelentes sem nenhuma qualificação de ensino e nem prática de escrita. Sem desmerecer ninguém, pois essa não é minha intenção, mas estes eram verdadeiras exceções, e podemos contar nos dedos de uma mão. O fato é que essa deficiência na escrita limitará em muito suas formas de comunicar. Pensas em escrever um artigo? Quem sabe um livro? Ou ficará apenas no discurso e por isso focará apenas no discurso? “Forever and ever”.

Certa feita, um profissional de relativo conceito proferiu essa pérola, quando fui lembrá-lo de uma aula da Oficina de Criação de Textos, um dos projetos da GoMarket na área de comunicação: “não preciso aprender a escrever certinho, tenho minha secretária que resolve toda essa parte”. Isso mesmo, um atestado de dependência, que explica como este cidadão consegue montar boas apresentações de seus projetos na tela. Mas, na hora de escrever por conta própria, o caos toma conta, seja via e-mail, seja via posts em blog e/ou redes sociais. E essa prática é corrente, infelizmente. A comunicação escrita ainda não é valorizada por grande parte dos profissionais que deveriam fazer uso da mesma. Muito menos bem avaliada quando de uma seleção para determinados cargos nas organizações. Conferem-se experiências, projetos, mas nada de solicitar um pequeno descritivo que possa comprovar tais qualificações. Claro, há exceções que já se apresentam em nosso mercado. Alguns setores de RH solicitam um rápido relato escrito do candidato. Estão antenados em angariar colaboradores que dominem não apenas a técnica daquela função, mas também características que complementem o profissional como um ser comunicativo. Em qualquer circunstância e meio que for necessário. Por completo!

Portanto, creio que aquelas perguntas lá do início estejam respondidas. Dominar a linguagem escrita é mais um passo para a evolução de qualquer profissional de qualquer que seja sua área de atuação. Ainda, para finalizar, citarei aqui o mestre José Hildebrando Dacanal, que desde muito já explica o porquê de dominarmos a língua portuguesa. O principal motivo para Dacanal é que o domínio da língua, e por consequência da escrita, é decisivo para ascensão social e profissional. É uma forma de alcançar o sucesso, mesmo que seja apenas uma das tantas. E nunca se esqueça: reproduzir conteúdos ou formas deles nada mais é do que propagar outros nomes, outros profissionais. Nunca o seu. Apenas criando nossa própria comunicação escrita de qualidade e como significância é que seremos verdadeiramente autores de nossas ideias. Teremos uma identidade para nossos conceitos.

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About Daniel Mello

Coordenador Comercial na Infoar - Mais Continental; Consultor em Marketing Direto e MKT de Relacionamento; Professor de Língua Portuguesa. Um profissional dedicado aos encantos da área comercial e aos mistérios da Comunicação Escrita e Produção de Textos! Um cara sempre em busca de aprendizado. E pronto para dividir expectativas, anseios e um pouquinho de conteúdo! ;)
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