E a corrupção nossa de cada dia

Corrupção é uma palavra que a grande maioria odeia, rejeita. Sinônimo de desvio de verbas, benefício próprio usufruindo daquilo que não é seu. Vantagem, vantagens… Porém, como em tudo, sempre cabe uma reflexão: e quem não é corruptível? Quem nunca caiu em tentação? Pois, então. Sabe aquele furo na fila, em que você permite que algum conhecido entre na frente de todos em troca de futuros favores? Sabe aquela graninha a mais para liberar sua entrada mais rapidamente na festa? Sim, estes são meios de corromper e/ou de se tornar corruptível. Ah, mas isso não implica em “grande coisa”, é apenas um furo na fila, ou uma gorjeta para facilitar a entrada… Importante lembrar que a qualificação da ação não depende do resultado. Ela se basta pela intenção. Faço um paralelo, no sentido de escandalizar o argumento: uma tentativa de homicídio não deixa de existir se eu não conseguir consumar tal ação. Responderei pelo ato, do mesmo jeito. Ou seja, independentemente de qual meu ganho, estarei corrompendo e/ou sendo corrupto.

Iniciei dessa forma porque é muito fácil criticar, criticar e criticar. Mas o que realmente estamos fazendo para diminuir a corrupção? As pessoas detentoras de cargos políticos são colocadas lá por nossa vontade, através de um processo amplamente democrático. Estes seres políticos que lá surrupiam são os mesmos que oferecem cestas básicas paras as camadas menos favorecidas da população. E sabemos quem são estes políticos, não? Denunciamos? Também não, quem sabe poucos denunciam! Reclamar do quê, então, cara pálida?

E os números apavoram! Conforme a publicação Índice de Percepção da Corrupção – 2010 – da FIESP, publicada em agosto de 2001, a corrupção desfragmenta entre 1,38% a 2,3% do PIB, isto é, de R$ 50,8 bilhões a R$ 84,5 bilhões. Neste mesmo relatório o Brasil ocupa a 69ª posição, ficando atrás de Porto Rico (33º), Coreia do Sul (39º), Kuwait (54º) e Malásia (56º), por exemplo. Para dar uma dimensão do que representa este valor, poderíamos arcar com as seguintes demandas:
 Com o custo anual de 24,5 milhões de alunos das séries iniciais do ensino
fundamental segundo os parâmetros do CAQi (Custo Aluno-Qualidade Inicial);
 Equipar e prover o material para 129 mil escolas das séries iniciais do ensino fundamental com capacidade para 600 alunos segundo o modelo CAQi;
 Construir 57,6 mil escolas para séries iniciais do ensino fundamental segundo o modelo CAQi;
 Comprar 160 milhões de cestas básicas (DIEESE);
 Pagar 209,9 milhões de bolsas família em seu valor máximo (Básico + 3 variáveis + 2 BVJ);
 Construir 918 mil casas populares segundo o programa Minha Casa Minha Vida II;
 Poderíamos construir aproximadamente 40 mil quilômetros de novas rodovias ou 21 mil quilômetros de novas ferrovias;
 Construir em torno de 80 novos aeroportos de porte médio.

Fonte: http://www.fiesp.com.br/competitividade/downloads/indice%20de%20percep%C3%A7%C3%A3o%20da%20corrup%C3%A7%C3%A3o%20-%202011.pdf

Não há dúvidas de que a corrupção é o câncer do Brasil. Estes números englobam toda a estrutura da administração pública, desde municípios, estados e união. Portanto, reflete diretamente no posto de saúde, na educação e na SEGURANÇA que fazem falta nos dias de hoje. Claro, que muitos não ligam para a saúde, muito menos para educação pública, até porque possuem recursos para manter seus planos e escolas privadas, mesmo que alguns de seus parentes e empregados precisem. Porém, a segurança (destacada) atinge a todos! É questão de liberdade, da possibilidade de ir e vir com a mínima tranquilidade. Segurança é a chaga democrática! Castiga a todos, infelizmente, de qualquer nível social!

A partir destes apontamentos, como procuro fazer em todos meus textos, gostaria de propor soluções para este grande problema que atinge o Brasil e enferruja nossas estruturas. Como início de reflexão para combatermos a corrupção, pergunto: em quem você votou para deputado federal na última eleição? Sim, a do ano passado, lembra? Se lembra, parabéns, pois você é um dos poucos que conseguem essa proeza. Tanto é que já em novembro de 2010, um mês após a eleição, pesquisa SENSUS-TSE com 2.000 eleitores, mostrou que aproximadamente 22% dos eleitores já não lembravam mais em quem havia votado! Imagine como está esse índice de lembrança atualmente. E se não lembramos de nossos candidatos, como poderemos cobrar mudanças e melhorias? Impossível, pois acabamos por fazer uma crítica genérica ao congresso porque não temos referência e nem representante para falar. Por isso, sou a favor do voto distrital puro! Cada distrito (região) elege um único representante que fica vinculado ao mesmo, prestando contas diretamente para aquela região e sua população. Facilita a cobrança e a prestação de contas de cada ato do deputado. No RS, por exemplo, manteríamos as mesmas 31 vagas para deputado federal, divididas nas tais 31 regiões/distritos.

E qual a razão de focar a luta contra a corrupção na eleição para deputado federal? Simples, pois são eles que legislam! Se não tivermos representantes que se proponham a modificar uma série de leis ultrapassadas e sem eficácia, continuaremos com os mesmos problemas. Inclusive, leis que penalizem drasticamente a corrupção. Também, leis que acabem com emendas parlamentares (moeda de troca entre governos e deputados), além das reformas que nosso Brasil tanto necessita. A cobrança local e direta é uma das poucas formas de pressionar um deputado.

Portanto, se você entende, assim como eu, que já chega de corrupção, tome alguma atitude que possa modificar essa estrutura política viciada de nosso país! Eu estou começando pela conscientização do voto parlamentar, pela instauração do voto distrital puro e pela busca de mudanças em várias leis retrógradas que não permitem a devida punição para uma série de crimes. As opções são duas: fiquemos quietos sem agir, apenas reclamando da boca para fora, ou agimos! Sempre há alguma forma de participar. #ficadica

A quem interessar, nesse link há a petição a favor do voto distrital: http://www.euvotodistrital.org.br/assine/

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About Daniel Mello

Coordenador Comercial na Infoar - Mais Continental; Consultor em Marketing Direto e MKT de Relacionamento; Professor de Língua Portuguesa. Um profissional dedicado aos encantos da área comercial e aos mistérios da Comunicação Escrita e Produção de Textos! Um cara sempre em busca de aprendizado. E pronto para dividir expectativas, anseios e um pouquinho de conteúdo! ;)
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