E a escrita, heinhô Batista!

Foi com grande satisfação que recebi a notícia de que o governo do estado do RS disponibilizará Curso de Técnicas de Criação Literária aos alunos da rede estadual. (Jornal Correio do Povo – 10.08.11 – http://www.correiodopovo.com.br/Impresso/?Ano=116&Numero=314&Caderno=0&Noticia=325348) Será uma ação conjunta das secretarias de Educação e de Cultura. Independentemente do sucesso em se formar autores, esse curso já será de grande valor se, “apenas”, conseguir capacitar nossos alunos para ESCREVER TEXTOS. Sim, se apenas esse fator alcançado, já terá validade tal projeto.

Afirmo isso em função de que está cada vez mais distante de nossas crianças e jovens alunos a prática da escrita; e da escrita de textos! Algumas causas dessa falta já são sabidas: a precária metodologia de ensino da língua portuguesa proporcionada aos nossos alunos (seria apenas o salário a causa desse desleixo pedagógico?); a falta de uma política de incentivo à leitura, pois apenas escreve razoavelmente bem quem lê uma quantidade razoável de boa literatura; além, claro, da pobre metodologia pedagógica quando da utilização das facilidades da informatização no ensino, já que ao invés de potencializar os processos de leitura e produção de textos acaba afastando os alunos cada vez mais dessas práticas. Obviamente, há exceções em algumas escolas. Porém, estas apenas servem para validar essa triste regra que descrevo.

Alguns exemplos de negação ao texto podem ser vistos diariamente em nossas redes sociais, por exemplo. Estes meios de comunicação refletem claramente a forma como as pessoas estão escrevendo. Claro, que nesses meios há uma despreocupação com as formas e normas tradicionais da escrita! Porém, se o processo da escrita não conseguir seu primeiro e mais básico objetivo – COMUNICAR – não podemos dizer que está logrando êxito. Em nenhum sentido! Além das redes sociais há a participação do público em diversos blogs, fóruns, dentre outros canais. E nestes meios vemos tentativas de produzir textos, em que a intenção de comunicar fica totalmente prejudicada pela falta de nexos, ligações entre as frases, dentre outras situações. Lembro que não procuro nessa crítica correções ortográficas, sintáticas, dentre outras. A Intenção aqui é avaliar se a mensagem consegue ser clara para qualquer nível de interlocutor e proporcionar um sentido ao leitor, sem que este tenha que fazer inúmeras tentativas de leituras para entender. Um exemplo: “galera, nao ouçam a musica q o diabo fez para manipular vcs, ouça o black metal revolucionario,diferente, q prega paz, o amor, a vida dead nao serve de referencia pra ninguem pois eh um exemplo de uma pobre alma q se largou de deus para seguir satan e acabou tendo o fim q teve temo pela vida dos jovens de hoje, pois quem segue a satan nao apreveita a vida, nada mais bonito do q vc viver sua vida em cristo ao lado da sua mulher e filhos, nao deixem satan tirar essa dádiva de vcs nao estou querendo polemizar, soh estou prezando pelo bem de vcs”

Um texto que exige do leitor uma avaliação mais aprofundada. Não que a mensagem fique totalmente perdida, mas precisamos de tempo para assimilar tal construção e entendê-la. Mais triste fica esta situação quando comparamos estas criações textuais de hoje com as de antigamente. A notícia de que trabalhadores encontraram frases sob as construções de Brasília, no caso o Congresso Nacional, reflete essa diferença. E estou falando de trabalhadores da construção civil na década de 50. Em que o nível de acesso à escolaridade era muito menor! Alguns exemplos destas frases encontradas:
1) “Que os homens de amanhã que aqui vierem tenham a compaixão dos nossos filhos e que a lei se cumpra”.
2) “Amor, palavra sublime que domina qualquer ser humano”.
3) “Si todos brasileiros focem digninos de honra e honestidade, teríamos um Brazil bem melhor. Só temos uma esperança nos brasileiros de amanhã. Brazil de hoje, Brazil de amanhã”. (Reitero que mantenham o olhar na mensagem, e não nas faltas ortográficas)

Notem a diferença da frase encontrada hoje na web e a frase 3 de Brasília. Ambas possuem falhas, mas o entendimento da mensagem é muito melhor assimilado na frase 3, dos trabalhadores de Brasília!

O que também me preocupa é, ainda, encontrar construções textuais “caricatas” também em troca de e-mails entre profissionais experimentados, em palestras, publicações, em blogs de pessoas com certa importância em seus meios de atuação. Nestes casos, os problemas não são escandalosos, mas prejudicam a imagem de quem escreve. O interlocutor, que presumo ter um nível no mínimo equivalente ao autor, acabará dando atenção exagerada à falha e não ao conteúdo do que se escreveu! Ou seja, diminuirá a capacidade de percepção, gerando menor entusiasmo com o conceito defendido naquela publicação. Além, claro, de não ficar nada bem para a imagem de um autor que se apresenta como um multiplicador de ideias, conceitos, novidades e novas alternativas. Nesse sentido é fundamental que os departamentos comerciais, assim como de atendimento, das organizações dominem a habilidade da escrita. Pois é a área que mais interage com clientes. E a imagem de uma empresa pode ficar arranhada se seus colaboradores escreverem de maneira inadequada.

Então vem a questão: o que fazer, primeiramente para capacitar desde cedo, desde a infância, nossos alunos, futuros profissionais? Bom, essa iniciativa do Curso de Técnicas de Criação Literária aos alunos do RS já é um excelente início. Sim, temos de esperar e verificar se será aplicada de uma maneira objetiva e prática, fugindo das armadilhas da burocracia, primeiramente. Assim como fugir da falta de continuidade e motivação dos participantes com o decorrer do tempo. Mas prefiro crer que há uma grande chance de prosperar.

Ainda, afora essa iniciativa do curso, para profissionais dos mais diversos segmentos, todos devem manter um nível razoável de leitura junto a bons textos. Não basta achar que se aprende a escrever na escola e depois podemos deixar de “treinar”. Nada disso! A boa produção textual depende muito da prática da leitura e da escrita. E todos podem buscar, ainda, cada vez mais capacitação nesse sentido.

Portanto, sempre apoiarei qualquer iniciativa que coloque a criação de textos como prioridade, independentemente da sua origem. O que realmente importa é poder ler com prazer as mensagens das demais pessoas, com facilidade de entendimento e assimilação. Assim, teremos maiores resultados para nossas mensagens, sejam elas de cunho pessoal ou profissional, dentre outros. E uma dica: hoje os profissionais se especializam em tantas áreas, cada vez mais segmentadas. Títulos e mais títulos! Mas será que conseguem multiplicar tudo isso? Conseguem descrever essas experiências claramente? Pense nisso! Não está faltando valorizar o conceito da escrita p/ facilitar esse processo? #ficadica

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About Daniel Mello

Coordenador Comercial na Infoar - Mais Continental; Consultor em Marketing Direto e MKT de Relacionamento; Professor de Língua Portuguesa. Um profissional dedicado aos encantos da área comercial e aos mistérios da Comunicação Escrita e Produção de Textos! Um cara sempre em busca de aprendizado. E pronto para dividir expectativas, anseios e um pouquinho de conteúdo! ;)
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