Liberdade de Imprensa VS. Liberdade de Expressão

Olha, pode ter certeza que nesse exato momento desse nosso atribulado panorama político-eleitoral há uma imensidão de pessoas falando sobre liberdade de imprensa. O que por si só é salutar! Não apenas nesse momento de intenso debate deveríamos nos preocupar com esse tema. Além disso, esse tema foi realçado pela escolha do chinês Liu Xiaobo, preso em seu país por ter redigido um manifesto político pedindo democracia. Isso seria normal se não fosse escrito na China…

Mas aqui em nosso solo tupiniquim a coisa também não está tranqüila. Alguns veículos de comunicação tomaram coragem e abriram seus corações e declararam suas preferências políticas nesta época eleitoral. E penso que estão certos, pois TODOS somos seres políticos e temos nossas inclinações por candidato A ou B. Preferências à parte, veículos de comunicação tem como obrigação informar, independentemente de sua vertente política. À população “deve” a verdade! Opiniões, editoriais são outra conversa. Estes fazem parte da filosofia de cada empresa jornalística.

Expressados preferências e sentimentos políticos, cada conglomerado jornalístico deve refletir sobre o tema liberdade de imprensa. Sem dúvida, todas essas empresas querem liberdade total e irrestrita nesse ponto. Porém, cabe a pergunta: o que vale mais a liberdade de imprensa ou a liberdade de expressão? E cito um exemplo acontecido nos últimos dias aqui no Brasil para ilustrar esse debate. O Jornal Estado de São Paulo, popularmente conhecido como Estadão, declinou sua preferência nas eleições pela candidatura de José Serra. Porém, uma de suas articulistas, a psicóloga Maria Rita Kehl escreveu um artigo favorável ao programa Bolsa Família (http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101002/not_imp618576,0.php). Pronto: foi motivo para o Estadão “enquadrar” a colunista e demiti-la. Por que será? Ainda mais que no início do artigo a autora elogia o Estadão pela sua coragem de expor sua preferência…

Obviamente que as empresas jornalísticas são “empresas” e podem demitir seus funcionários como qualquer outra “empresa”. Porém, não lhe parece contraditório as mesmas empresas que reclamam pela liberdade de imprensa cercearem a liberdade de expressão por uma divergência de opinião política? Estranho, não? Não seria mais nobre de parte do Estadão ganhar pontos em cima desse fato? São esses comportamentos inquisidores que colocam em xeque o discurso que esses conglomerados fazem em defesa da liberdade de imprensa. Assim como a Folha de São Paulo, que ajuizou ação para proibir uma sátira realizada por blog independente (Falha de São Paulo), que lhe parodiava de forma crítica. E olha o clamor que gerou a decisão do TSE de proibir sátira de políticos pelos humoristas, inclusive apoiado pelos veículos de comunicação! Porém, quando a satirizada foi a Folha, aí a conversa foi outra.

A partir disso tudo, está na mesa o debate: vale mais a liberdade de imprensa ou a liberdade de expressão?

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About Daniel Mello

Coordenador Comercial na Infoar - Mais Continental; Consultor em Marketing Direto e MKT de Relacionamento; Professor de Língua Portuguesa. Um profissional dedicado aos encantos da área comercial e aos mistérios da Comunicação Escrita e Produção de Textos! Um cara sempre em busca de aprendizado. E pronto para dividir expectativas, anseios e um pouquinho de conteúdo! ;)
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